quinta-feira

Imortal

Na altura pensávamos ser imortais, eu e tu. Não havia contador que medisse a nossa velocidade, conduzias a dançar, a música ao máximo ensurdecendo o mundo, mãos fora do volante, guinando ao ritmo da melodia. Eu ria e cantava e gritava torpe de ti em mim, em nós. De tudo aquilo. Pensava, se isto não é perfeito, o que é? O perigo, a adrenalina, a cegueira do amor. A mais gritante loucura. A gargalhada de estar contigo e a plenitude de te amar, às quatro e meia da manhã por um escuro caminho de terra longe como nem nós sabíamos da estrada, previsto caminho da vida. E nós nunca gostámos da rotina. Bebíamos da vida em desejo e momentos arrepiantes de emoção, sem horas, meu amor, porque o tempo éramos nós. Parece que agora temos de andar pela estrada, a idade dá trabalho. Nunca soube ir ter àquele caminho de terra, eras sempre tu que me levavas. É melhor esquecê-lo. "Nunca mais iremos voltar, porque nunca será tão bom".

Um comentário:

amelie disse...

cada momento é único e às vezes é melhor esquecer para não sofrer a pensar nos "ses".

welcome abord :P