Quando vi "Hard Candy", de David Slade, pela primeira vez não estava preparada e penso que essa é a melhor forma de o ver porque assim deixamos que a película nos rapte por completo. No início do filme, temi por Hayley Stark (Ellen Page), a menina de 14 anos que parecia tão frágil e deslumbrada por Jeff Kohlver (Patrick Wilson), um pedófilo que, através da internet, seduz a jovem que acaba por decidir encontrar-se com ele para se conhecerem pessoalmente. O encontro acontece, Hayley parece fascinada com Jeff apesar das diferenças de idade. Subitamente, este convida-a para ir a sua casa e a reviravolta acontece. O capuchinho vermelho não era tão ingénuo como parecia e o lobo mau era menos astucioso do que julgara.
Hayley sabia que não havia inocência alguma na perversão de Jeff e decide faze-lo provar do seu próprio veneno. Agora é ele que vai pagar com o seu sangue por todas as adolescentes molestadas que fez sofrer.
A inversão de papéis é repentina e rotativa, permanecendo, desta forma, o medo de que a jovem se deixe apanhar no jogo de sedução paternalista do seu agressor. Por vezes, ficamos confusos quando a criança fala como adulta e o adulto se justifica como criança. O sadismo inerente ao filme, abala a nossa moralidade e afasta-nos do maniqueísmo. O que é certo? O que é errado? O que devemos sentir? Será errado oscilar numa dualidade de sentimentos?
O filme faz perguntas, perguntas sobre o nosso carácter mas não dá respostas. Aqui reside o seu maior trunfo.
2 comentários:
eis senão quando o cordeiro vira lobo, eheh. =) amei o filme também.. é prova que existem muitos anjos maus por aí.. e ainda bem!!
o que eu acho mais incrivel é que apesar do filme se passar numa casa com apenas dois actores não conseguia desprender os olhos do ecrã porque os diálogos eram tão bons =)
Postar um comentário